A Quaresma tem que doer

04-03-2014 21:30


 

A quaresma tem que doer

A Igreja vai ficar de quarentena a partir de amanhã. O desafio é colocado a cada cristão individualmente e às comunidades de forma organizada em dioceses. Tempo medicinal de cura. Não ritualidade conservada nas páginas dos calendários do quotidiano que se repete mas tempo que traz novidade e abertura ao futuro.

 

As primeiras comunidades dos discípulos de Jesus reuniam-se regularmente no primeiro dia da semana, depois dos afazeres da jornada de trabalho para celebrarem a sua fé no Senhor ressuscitado. Cada domingo Páscoa. A Páscoa semanal que alimenta a fé, fortalece a esperança e anima a caridade. Celebram desde logo a Páscoa anual, páscoa das páscoas, dia que dura 7 semanas, a mais importante solenidade cristã: se Cristo não ressuscitou é vã a nossa fé, professa o apóstolo Paulo.

 

Quando a rotina entra nos ossos dos cristãos perde-se a alegria do evangelho. Os primeiros cristãos deram-se conta disso e criaram um tempo preparatório para melhor viverem a Páscoa. Chamaram-lhe quaresma (quarentena de dias), tempo de penitência, de oração, de jejum e de misericórdia.

 

Jesus de Nazaré também fez quaresma, travessia do deserto que antecedeu o início da vida. E abre o seu ministério com este convite: convertei-vos porque o reino está!

 

O papa Francisco avisa: se a esmola não dói não vale. É que a bíblia nem sequer fala em dar esmola, mas em fazer justiça, isto é misericórdia, devolver ao pobre o que lhe é devido.

 

O bispo António propõe à Diocese de Angra uma caminhada de conversão que passa por três primados: Palavra, Graça e Testemunho.

 

Do primado da palavra nasce a oração: faz-se lendo, meditando e rezando o Evangelho; é a oração a partir da Palavra. A leitura divina da vida pois que nem só de pão se vive e a cada passo há a tentativa de querer fazer dos obstáculos alimento.


Marco Bettencourt Gomes, Porta Voz da Diocese de Angra