Nota Pastoral de D. António - Semana da Diocese

15-10-2014 16:05

NOTA PASTORAL

E I S  O  T E M P O  F A V O R Á V E L !

 

Hoje fala-se muito de crise, também no seio da Igreja, como se este tempo, que nos toca viver, fosse mais adverso ao Evangelho do que no passado. É verdade que os tempos mudaram, mas não deixam de ser “uma nova oportunidade” para o anúncio do Evangelho. A situação atual não é mais dramática do que no passado para a missão evangelizadora da Igreja.

Podemos bem dizer, como Jesus no início do Seu Ministério Público: «Completou-se o tempo e o Reino de Deus está perto» (Mc 1, 14). É que, com a vinda de Jesus, “o momento favorável” – o “hoje de Deus” – chegou definitivamente e está destinado a perdurar. Doravante, urge, portanto, anunciar a Palavra «em tempo propício e fora dele» (2 Tm  4, 2).

SÍNODO DOS BISPOS SOBRE A FAMÍLIA

1. O início do Ano Pastoral 2014/15 está marcado pelo grande acontecimento eclesial do Sínodo dos Bispos sobre a Família, que começa a 5 de Outubro e termina a 19 de Outubro, Dia Mundial das Missões, em que vai ser beatificado o Papa Paulo VI.

Embora o tema central do Ano Pastoral 2014/15 ainda não seja a Família, temos de acompanhar a reflexão sinodal da Igreja, que terá o seu ponto culminante e conclusivo, na Assembleia Ordinária do Sínodo, em Outubro de 2015. Entretanto, urge reforçar a organização da nossa Pastoral Familiar, para estarmos preparados a assumir os desafios pastorais das duas Assembleias Sinodais sobre a Família. Qual “Igreja Doméstica”, a família, célula-base” da sociedade tem de ser protagonista desta «nova etapa evangelizadora» da Igreja, recomendada pelo Papa Francisco.

Ele é perentório, ao afirmar: «A pastoral em chave missionária exige o abandono deste cómodo critério pastoral: “Fez-se sempre assim”. Convido todos a serem ousados e criativos, nesta tarefa de repensar objetivos, estruturas, estilo e métodos evangelizadores das respetivas comunidades… Exorto cada uma das Igrejas Particulares a entrarem decididamente num processo de discernimento, purificação e reforma» (A Alegria do Evangelho=AE, 2013, 30).

A Semana da Educação Cristã, que se realiza, logo no início do Ano Pastoral (5-12 de Outubro), bem como as Jornadas Nacionais da Pastoral Familiar, que se lhe seguem (18 e 19 de Outubro), podem constituir uma preciosa ajuda, no desencadear deste processo de renovação da Igreja.

SEMANA DA DIOCESE

2. Será, pois, um início de Ano Pastoral muito sugestivo e interpelante, que vai ter na Igreja Particular, um momento forte, na Semana da Diocese, de 3 a 9 de Novembro:

- A 3 de Novembro, celebramos os 480 anos da criação da Diocese. Será o Dia da Diocese. Eu presidirei à Celebração Eucarística, na Sé Catedral de Angra. Cada Ouvidoria verá como assinalar a efeméride.

- No dia 3 de Novembro, à noite, no salão do Seminário de Angra, haverá um Encontro de Formação Permanente para o clero e agentes pastorais, dentro da temática das «periferias existenciais», conforme as orientações do Papa Francisco, na Exortação Apostólica, A Alegria do Evangelho.

- Nos dias 6-7 de Novembro, realizar-se-á, em Ponta Delgada, o Encontro Diocesano de Ouvidores, dentro da temática da sinalização e caracterização das «periferias existenciais», seguindo a sugestão da última Assembleia do Conselho Presbiteral Diocesano. No dia 6, das 15.00 h. às 18.00, haverá duas palestras sobre o tema, feitas por especialistas. Para estas palestras é convidado todo o clero de S. Miguel.

- Na noite do dia 6 de Novembro, repetir-se-á, em Ponta Delgada, o Encontro de Formação Permanente para agentes pastorais sobre a mesma temática das «periferias».

- A 9 de Novembro, à tarde, será o Encerramento da Semana da Diocese, com a Celebração Eucarística em Nossa Senhora da Paz, Vila Franca do Campo. Lembro que os ofertórios das Missas do fim-de-semana 8-9 de Novembro destinam-se, como de costume, à Diocese. Em 2013 esses ofertórios somaram: Euros 10.021,54 €. Porque somos pobres, partilhamos para nos ajudarmos uns aos outros.

 Esta Semana da Diocese é, pois, o 1º momento forte da Programação Pastoral deste Ano Pastoral, que se concentra na questão das «periferias existenciais»: como desencadear um processo de sinalização e de caracterização, para se inserir nelas, com a luz do Evangelho? Como é que as comunidades cristãs e os Serviços Pastorais chegam e se envolvem nas «periferias»? O que se entende por «periferias existenciais»? Não está em questão só a pobreza material.

Trata-se de um assunto, que merece estudo aprofundado e competente. É o que vamos tentar, com estas iniciativas de Formação Permanente.

SEMANA DOS SEMINÁRIOS

3. Segue-se, imediatamente, a nível nacional, a Semana dos Seminários (9-16 de Novembro), que também queremos assinalar, devidamente, na nossa Diocese, que tem a graça e a responsabilidade de ter a funcionar um Seminário Maior, fundado, precisamente, a 9 de Novembro de 1862. Esta Semana dos Seminários é, pois, um momento significativo de ação de graças e de oração pelo nosso Seminário, pelos seminaristas e seus formadores, pelos seus familiares e comunidades.

É uma ocasião propícia, para consolidar todo o nosso apoio e ação em prol das vocações aos ministérios sagrados. Este ano letivo temos 17 seminaristas, assim distribuídos: 2 no 6º ano, 1 no 5º ano, 3 no 4º ano, 1 no 2 º ano, 6 no 1º ano e 4 no ano propedêutico. É de assinalar também a distribuição por Ilhas: 12 de S. Miguel, 2 do Faial, 1 da Terceira, 1 do Pico e 1 das Flores. Naturalmente, o predomínio é de S. Miguel. Nos dois últimos anos, entraram seminaristas só de S. Miguel: 10. Há ilhas que há anos não têm seminaristas. 

Não podemos desfalecer, para fazer o que estiver ao nosso alcance, para sermos instrumentos fiéis e eficazes do Senhor que continua a chamar. Esperamos que os nossos seminaristas continuem a envolverem-se nas Ouvidorias, para apoiar a Pastoral Vocacional. Nestes dezoito anos de episcopado nos Açores, tive a graça de ordenar 50 sacerdotes, o que corresponde a um terço do presbitério diocesano. Não por mérito próprio, mas colhendo os frutos de quem semeou. Tenhamos também nós a coragem de preparar bem o terreno e de semear com abundância e muita confiança. Há-de chegar o tempo da colheita.

FORMAÇÃO PERMANENTE DO CLERO

4. O Conselho Presbiteral insistiu muito na Formação permanente do Clero (FP), a que não se tem dado a devida atenção, a nível da Diocese e dos próprios interessados. Por isso, se recomenda vivamente a participação, nestes três momentos fortes da FP do Clero:

·        O primeiro será o Retiro Anual, orientado pelo Pe. Abílio Pina Ribeiro, Claretiano: de 26 a 29 de Janeiro de 2015, em Angra e de 2 a 5 de Fevereiro de 2015, em Ponta Delgada.

·        À volta destes dois turnos de Retiro, haverá duas sessões de reciclagem do Clero sobre a Pregação-Homilia, sob a orientação dos Dominicanos. Uma no dia 30 de Janeiro de 2015, na Terceira e outra, em dois tempos, em Ponta Delgada: 31 de Janeiro, na parte da manhã e 2 de Fevereiro, também na parte da manhã (à tarde começa o Retiro do Clero).

·        Na semana da Oitava da Páscoa (de 6 a 10 de Abril de 2015), haverá também um turno de retiro para o Clero, na Ilha do Pico, sob a orientação do Cónego António Rego.

·         Outro momento forte de FP do Clero será – assim o esperamos – a Assembleia Plenária do Conselho Presbiteral, de 20-24 de Abril de 2015, que lançará o processo de «uma avaliação aprofundada da realidade da Igreja diocesana» (Conselho Presbiteral 2014), com vista a abrir caminho a uma «nova “saída” missionária». Isso implica uma corajosa análise, o mais possível objetiva, da nossa realidade eclesial e das possíveis respostas adequadas ao momento atual que vivemos e à realidade de um território disperso em nove Ilhas, cada uma com as suas caraterísticas e vivências. O que exige uma descentralização efetiva da dinâmica pastoral, com a consequente revalorização da “Unidade Pastoral”/Ouvidoria. Por isso, poderia ser muito útil e inovador aprofundar e aprovar a proposta de Estatutos para a dinâmica da Cúria Diocesana, nesta perspetiva descentralizada, que revaloriza as Ouvidorias. Por exemplo, a Formação Permanente dos Leigos – que conta com poucas iniciativas, a nível da Diocese, tem de ser assumida claramente pelas Ouvidorias, com o apoio dos Serviços Diocesanos de Pastoral e dos Movimentos Eclesiais.

ANO DA VIDA CONSAGRADA

5.Finalmente, não podemos esquecer que 2O15 é o Ano da Vida Consagrada. Tendo presente esta proposta do Papa, vamos envidar esforços no sentido de dar a conhecer a Vida Consagrada na Igreja, nomeadamente na nossa Igreja Particular. Por isso, proponho que se retome o encontro do Bispo com os crismandos, que se realizava há uns anos, antes da celebração do Sacramento do Crisma. Um tal encontro terá como temática a Vida Consagrada. Poderá contar com a presença de algum consagrado/a, ou então, consistir numa visita guiada a alguma instituição de Vida Consagrada. Dependerá do que se poderá combinar, em cada Ouvidoria. Além disso, é preciso dar enlevo à celebração Dia do Consagrado a 2 de Fevereiro.

Falando de Vida Consagrada, é preciso ter presente a realidade eclesial de hoje, que apresenta uma grande variedade de novas formas de Vida Consagrada, que inclui, não só Religiosos e Sacerdotes, mas também jovens e casais. São respostas à tal «nova “saída” missionária», preconizada pelo Papa Francisco e que «não pode deixar as coisas como estão» (AE 25).

CONCLUSÃO

Os tempos mudaram. Já não vivemos em regime de cristandade, em que, de algum modo, a Igreja “enquadrava” os fiéis, desde o nascimento até à morte. Temos de passar de uma  “pastoral de enquadramento” para uma pastoral de proximidade e de proposta, de acolhimento e de acompanhamento.

Seguindo as orientações do Papa Francisco, queremos, portanto, assinalar os 480 anos da Diocese, com o lançamento deste processo de avaliação e verificação da nossa realidade social, cultural e eclesial, para enveredarmos progressivamente por um novo caminho missionário, que leve o Evangelho às pessoas. Não esqueçamos o que nos diz o Santo Padre:

«Jesus, o evangelizador por excelência e o Evangelho em pessoa, identificou-Se especialmente com os pequeninos (cf Mt 25, 40). Isto recorda-nos, a todos nós cristãos, que somos chamados a cuidar dos mais frágeis da terra (…). Nem sempre conseguimos manifestar adequadamente a própria beleza do Evangelho, mas há um sinal que nunca pode faltar: a opção pelos últimos, por aqueles que a sociedade descarta e lança fora» (AE 209 e 195).

Que empolgante ação pastoral nos espera, nestes próximos anos, sob a corajosa orientação do Papa Francisco, com quem nos sentimos em comunhão afetiva e efetiva! Que Nossa Senhora, a Estrela da Nova Evangelização nos guie, dê força, coragem e esperança!

 

+ António, Bispo de Angra

Angra, 8 de Setembro de 2014,

Natividade da Virgem Santa Maria.