Os Cristãos não devem ser legalistas e a fé não pode ser um peso - Papa Francisco

14-01-2014 23:51

Cristãos não devem ser legalistas e a fé não pode ser um peso, sublinha papa Francisco

O papa Francisco alertou esta terça-feira, no Vaticano, para os comportamentos hipócritas ou legalistas que distanciam as pessoas da fé, tendo também criticado os «cristãos corruptos».

Nas suas pregações, Jesus «ensinava como quem tem autoridade, e não como os escribas», que «ensinavam, pregavam, mas atavam as pessoas com muitas coisas pesadas às costas, e a pobre gente não podia avançar», afirmou na homilia da missa a que presidiu, refere a Rádio Vaticano.

«O próprio Jesus disse que eles não mexiam estas coisas nem sequer com um dedo. E depois, dirá às pessoas: “Fazei aquilo que dizem mas não aquilo que fazem”. Gente incoerente. Estes escribas, estes fariseus, é como se dessem bastonadas nas pessoas – “deveis fazer isto, isto e isto”», apontou o papa.

Francisco continuou a lembrar as palavras que Cristo dirigiu a esses pregadores: «“Assim vós fechais – disse-lhes – a porta do Reino dos Céus. Não deixais entrar, e também vós não entrais”. É uma maneira, um modo de pregar, de ensinar, de dar testemunho da própria fé… E assim, muitos há que pensam que a fé é algo assim».

Na primeira leitura bíblica da missa, é referida a figura do sacerdote Heli, que no templo observava Ana, mulher que «rezava à sua maneira, pedindo um filho», orando «como ora a gente humilde: simplesmente, mas do coração, com angústia».

Ana «mexia os lábios», como fazem «muitas boas mulheres» nas igrejas e nos santuários, «e pedia um milagre», lembrou Francisco, mas Heli pensou: «Está embriagada», e «desprezou-a», embora fosse «o representante» e «dirigente da fé».

«Quantas vezes o povo de Deus não se sente querido por parte daqueles que devem dar testemunho: dos cristãos, dos leigos cristãos, dos padres, dos bispos… “Mas, pobre gente, não percebe nada… Deve fazer um curso de teologia para perceber bem”», ironizou o papa.

O «cristão corrupto», prosseguiu Francisco, é aquele que se «aproveita da sua situação, do seu privilégio da fé, de ser cristão», e é da corrupção que nasce «a traição», como aconteceu com Judas.

Com o «poder da santidade», Jesus «aproxima Deus das pessoas, e para fazê-lo aproxima-se Ele: está próximo dos pecadores», procurando «o coração ferido das pessoas».

A terminar, Francisco pediu orações por todos os cristãos, para «não serem legalistas puros, hipócritas, como os escribas e os fariseus», para «não serem corruptos» e para «não serem tíbios», mas «serem como Jesus, com aquele zelo de procurar as pessoas, de curar as pessoas, de amar as pessoas».